Convites, Malas e Expectativas
♡Início de outubro♡
Marcos se aproximou de Ana com um sorriso animado.
— Ei, Lalitinha. Semana que vem é aniversário do meu irmão, dia 13, no sábado. E como na sexta é feriado, pensei em fazermos algo diferente. A professora de inglês, Denise, e o marido dela têm uma casa de campo no interior, um chalé no meio do mato com três quartos. Como ela me ama, combinamos de passar o feriadão lá com eles. Ela vai levar a gente na quinta de tardezinha depois da última aula dela e trazer a gente de volta no domingo. O que você acha? Eu sou incrível, não sou?
— Marcos… a minha mãe nunca vai deixar eu passar vários dias com dois garotos no meio do mato.
— Calma, Lalita. Sua mãe vai deixar quando eu falar com ela. Ela também me ama. Além do mais, tem lugar pra você levar uma amiga junto.
— Já tô arrependida de ter deixado você falar com a minha mãe naquela chamada de vídeo nas férias. Depois daquilo, ela só falava de você. Virou sua fã número um.
— Então tá resolvido?
— Tá bom, deixa que eu mesma falo com ela. E vou ver se a Gabi quer ir também.
♡♡♡
Ana entrou no quarto do dormitório animada, largando a mochila na cama.
— Gabi, tenho uma proposta de viagem no feriadão pra você.
— Se envolver mosquito, barro e mato, já vou dizer que a resposta é não — respondeu Gabi, sem tirar os olhos do espelho enquanto retocava o rímel.
— É um chalé no interior, no meio do mato… — começou Ana, rindo.
— Aff, sabia! Ana, eu sou uma garota urbana. Nasci pra calçada, shopping e ar-condicionado. Feriado é pra hidratação capilar e maratona de série, não pra lutar contra pernilongo.
— Ahn, ok… mas o Marcos tá tão animado com essa viagem…
Gabi parou de aplicar o rímel no mesmo segundo e olhou para Ana pelo espelho.

— Como é que é?
— É o aniversário do irmão dele no sábado. A professora Denise convidou para o chalé dela, a gente vai com ela na quinta e volta domingo. Vai ter espaço pra todo mundo. Vai ser divertido.
Gabi virou, cruzou os braços, pensativa por um segundo.
— Tá… talvez o mato tenha seu charme. E eu posso levar meu hidratante. E meu repelente.
Ana segurou o riso.
— Então é um sim?
— É um “talvez sim”, se tiver espelho e tomada.
— Fechado. Vou avisar o senhor perfeitinho que você topou.
♡♡♡
Na véspera da viagem, o quarto de Ana e Gabi parecia um cenário caótico de desfile de moda em meio a uma excursão de escoteiros. Gabi espalhava roupas em cima da cama, analisando cada look com olhos críticos.
— Preciso de algo estiloso, mas que diga: “Sou simples, naturalmente linda, e completamente à vontade no mato”. — Ela segurou um vestido floral contra o corpo e depois fez uma careta. — Isso diz “passeio no parque com a vó”, não “chalé com o…” deixa pra lá.
Ana riu, sentada no chão enquanto organizava suas camisetas e calças confortáveis em uma mochila esportiva.
— Gabi, a gente vai pra um lugar sem sinal de celular. Nem sei se vai ter espelho grande. Vai ser tudo meio rústico.
— Então preciso de roupas que me deixem bonita sem precisar de espelho. — Gabi largou o vestido e pegou um moletom oversized estilizado. — Isso. Confortável e charmoso. O que você acha desse short-saia, Ana Laura? — Ela se virou com a peça na mão.
Ana fingiu pensar por um segundo.
— Acho que os mosquitos vão te comer viva.
Gabi riu alto.
— Ai, que ódio de você! Mas obrigada por me convidar.
Ana deu de ombros, amarrando os tênis na mochila.
— Eu só quero relaxar. Ficar de boa, ouvir o barulho da mata, jogar conversa fora, comer coisas boas, e principalmente, me divertir, e você é bem divertida, por isso te chamei.
— Eu sei que sou.
Ana fez uma careta divertida.
— Divertida e humilde.
— Uhum. Exatamente.
Com tudo pronto, as duas deitaram cada uma na sua cama, olhando para o teto com o zumbido leve da ansiedade no peito. Uma viagem, um chalé, dois irmãos… e um final de semana longe do colégio. A aventura já tinha começado.



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