Experiências, Emoções e Flertes
O pátio da escola fervilhava com barracas, cartazes coloridos e alunos indo de um lado para o outro. O projeto de Ana e Marcos, a dupla imbatível desde o primeiro ano, estava montado bem no centro do campo de futebol, estrategicamente cercado por um espaço vazio para o lançamento do foguete.
Ana explicava a parte teórica, enquanto Marcos cuidava da demonstração prática. Alunos das outras turmas se aproximavam em pequenos grupos para assistir à apresentação.
Marcos notou o grupo que se formava em semicírculo e reconheceu, entre eles, seu irmão. Antes que Ana começasse a explicação, sugeriu que trocassem de função naquela rodada. Disse que estava cansado de ficar indo e voltando para posicionar o foguete e que, dessa vez, ficaria com a parte teórica. Ana poderia cuidar da demonstração prática — e ele providenciaria alguém para ajudá-la.

Como sempre, apresentou o trabalho com perfeição.
— Agora vem a parte prática! Nosso experimento une física e química numa reação simples, mas com um efeito visual bem legal. Vamos precisar de um voluntário… alguém corajoso?
Marcos olhou para o grupo e, conhecendo bem o irmão, já esperava que ele fosse o primeiro a levantar a mão, então o chamou mais para perto.
— Tá a fim de fazer um foguete decolar?
— Sempre. Mas vai explodir?
— Se fizer direito, só vai subir. Mas se errar… — Deu de ombros, teatral. — Ninguém sabe.
— Tô dentro.
Ana sentiu o estômago revirar suavemente ao vê-lo se aproximar, mas fingiu naturalidade.
— Ah, o voluntário surpresa. Tinha que ser você.
Pedro abriu seu sorriso angelical.
— Não perco uma chance de impressionar.
Ana começou a explicação para os alunos, mas seus olhos buscavam Pedro, que assistia curioso.
— Isso aqui é um foguete caseiro, simples, com materiais básicos. A gente usa uma garrafa PET, vinagre e bicarbonato de sódio. A mágica acontece quando a gente junta as duas substâncias. Acontece uma reação química que libera gás carbônico. Esse gás começa a se acumular dentro da garrafa e aumenta a pressão.
Pedro inclinou a cabeça, interessado.
— E aí… ela voa?
— Exatamente! Quando a pressão fica grande demais, o gás empurra o líquido para fora, e a força dessa expulsão impulsiona a garrafa para cima, como um mini foguete de verdade.
Ela sorriu, satisfeita, segurando a garrafa como se fosse uma invenção de laboratório secreto.
— Quem diria que vinagre e bicarbonato podiam lançar alguma coisa no ar, né, Lalitinha? — Pedro riu, encantado.
— Quem te deu permissão pra me chamar assim? — disse ela, sorrindo.
— Por quê? Não posso?… Achei que só os mais próximos podiam. A gente já não é próximo o suficiente?
Ana revirou os olhos com um sorriso e ignorou a pergunta, mas seu coração bateu mais rápido com o apelido.
— Vá até a base, posicione a garrafa no suporte virada para baixo, depois volte para cá.
Pedro estendeu as mãos para receber o “foguete”, e as mãos dele tocaram suavemente as dela. Um arrepio instantâneo percorreu o braço de Ana. Ela ergueu os olhos e encontrou os dele — aquele verde intenso, com aquele sorriso provocador.

Ela desviou o olhar, tentando se concentrar.
Pedro falou num tom mais baixo:
— Tá nervosa, doutora foguete?
Ana se recuperou.
— Só tô me certificando de que você não vá causar um acidente.
Pedro seguiu as orientações, posicionou a garrafa no suporte e voltou para perto de Ana. Segundos depois, um jato de espuma impulsionou a garrafa para o alto com força, arrancando gritos e palmas da pequena plateia.
E, no susto do barulho, Pedro instintivamente puxou Ana pelo braço para trás dele, colocando-se à sua frente como um escudo. Era desnecessário; ela já tinha feito aquilo dezenas de vezes, sabia o momento exato da reação. Mas, mesmo assim… o gesto foi tão espontâneo quanto protetor.
Ana riu.

— Ei, não precisava disso. Eu já tô acostumada com a experiência…
Pedro a encarou com charme.
— Mas eu não tô acostumado a ver você tão perto de explosões. A gente protege o que é bonito.
Ela riu, surpresa e um pouco sem graça, sentindo as bochechas queimarem com o elogio inesperado.



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